sábado, 18 de julho de 2009

ENSAIO SOBRE A MIOPIA


Final de tarde ensolarada, porém começando a ficar fria (estamos no inverno, lembre-se)... Clima propício para reunir os amigos num pub qualquer, num boliche, quiçá para ir ao cinema... Entretanto, ao melhor estilo Joseph Klimber ("A vida é uma caixinha de surpresas", não é mesmo?), estava indo ao oftalmologista (convenhamos, que palavrinha complicada somente para dar nome ao especialista em "zoios").

Na recepção do consultório, para variar, a espera foi longa (não tão longa assim; mas, ao basear-me em uma das teorias do "tio" Einsten, levou uma eternidade...)... já poderia sentir a sensação um tanto desagradável do colírio dilatador nos meus olhos por antecipação; mesmo assim, eu estava aproveitando para ler (a tendência era de que eu passaria o resto do dia (ou melhor, noite) míope, tendo de pedir ajuda para, simplesmente, andar em linha reta).

Depois de aproximadamente vinte minutos (que pareceram ter durado uns quarenta), finalmente fui chamado para ir ao consultório. Era um local agradável até (pelo menos não lembrava um consultório odontológico)... Ao invés daquele motorzinho "chato" do dentista, o (pseudo) carrasco era o colírio dilatador mesmo - por um instante achei que fosse o "colírio alucinógeno" de José Simão, colunista da Folha de S.Paulo.

Pouco tempo depois (acho que suficiente para ter iniciado o processo de miopia condicionada), fui enviado novamente para a sala da espera (ou tortura?). Como se não bastasse a demora incessante, continuaram as aplicações do "colírio que faz ver duendes e elefantes rosados"; e eu me sentia como se estivesse sendo submetido ao Método Ludovico, tal qual o personagem Alexander de Large em "Laranja Mecânica"... não obstante, pelo fato de ter de olhar para o teto (branco), após terem colocado o colírio (?) em meus olhos, tive a sensação de ter sido vitimado pela "cegueira branca", tal qual os personagens de "Ensaio sobre a cegueira" (livro de Jósé Saramago, adaptado para o cinema por Fernando Meirelles). Por sorte, me lembrei de abaixar a cabeça, e pude ver tudo (embaçado); e, como se não bastasse, a secretária ainda me pediu para eu assinar a via de autorização do convênio (eu somente via mata-borrões; e aposto que a minha letra (ou melhor, hieróglifo) deve ter ficado semelhante a caracteres árabes).

Por algum milagre, no final das contas, o meu grau de astigmatismo estava praticamente estável (ironicamente, estava conformado com a "nova" condição de míope)... e nem sei como consegui chegar em casa. Acho que segui o barulho mesmo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

EST MORT!


Na última quinta-feira, 25, o mundo da música (pop) perdeu um de seus maiores expoentes, se não o maior: Michael Jackson. Para poupar-lhe de toda a repercussão que o óbito (digno de rei (...)) teve, não irei apelar para o “mais do mesmo”, ao contrário do que ocorreu em toda a (grande) mídia... e, além de alguns fatos inusitados que ocorreram mundo afora, tentarei escrever sobre o “moonwalk” midiático.

Claro que seria imaginável o impacto da morte do astro pop ao redor do mundo, mas alguns fatos são dignos de serem (exaustivamente) comentados, isso é que não falam por si: presidiários tailandeses (isso mesmo, meu caro, presidiários tailandeses) tentaram realizar a dança eternizada no videoclipe de “Thriller”; Hugo Chávez, presidente venezuelano, disse estar triste pelo final (melancólico) do astro, mas reclamou da ampla cobertura do caso no canal de notícias CNN (segundo o próprio, “isso é o Capitalismo”); Mário Moraes, piloto brasileiro na Fórmula Indy, participou da última etapa (se não me engano, em Richmond) com luvas prateadas... e Barrica prometeu que, se subir ao pódio na próxima etapa do mundial de F1, fará o “Moonwalk” no lugar da já patenteada “sambadinha” (será engraçado).

Agora, queria ponderar sobre alguns pontos, digamos, chatos: antes de sua morte, Michael Jackson era considerado pela opinião pública (que é bem diferente de opinião, de fato, da sociedade) como pedófilo, mesmo inocentado pela justiça norte-americana; em virtude de seus gostos excêntricos (que custaram parte considerável de seu patrimônio astronômico), era tido como “louco”, senseless e afins... e, hoje, é tão-somente uma criança crescida, tentando reaver sua infância cerceada. Não obstante, pouco fala-se sobre os direitos comerciais que detinha sobre as músicas dos Beatles, obtidos de maneira, digamos, escusa (até hoje Paul McCartney sente as dores causadas por essa rasteira dada durante alguns passos do “Rei do Pop”). Será somente volatilidade de pontos-de-vista ou formação de juízo (de valor) condicionada à opinião pública? Tirem suas conclusões.

Como diria a poetisa, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”... e, seguramente, Michael Jackson as sabia, como poucos. Tanto que chegou a confidenciar a Lisa Marie Presley (ex-esposa do cara e filha do “homem”) que temia morrer da mesma maneira que Elvis (vitimado por um ataque cardíaco). Apesar de seu desejo (ou medo, de acordo com o seu ponto de vista), não houve muita diferença entre ambos os óbitos. Com certeza o mundo ainda verá intensas (e sangrentas) batalhas judiciais pela guarda dos filhos (?) e pelas migalhas que ainda restam (inclusive em Neverland)... triste epílogo para quem teve alguns dos capítulos mais alegres do século XX, intercalados numa história tão inverossímil quanto as contadas por Machado de Assis.

Tentemos não nos ater aos seus erros e deslizes, tampouco aos seus problemas e ao seu complexo de Peter Pan... nos recordemos de Michael Jackson tal qual ele foi (e será), musicalmente falando.

FÉÉÉRIIIAAASSSS!!!!


Passamos o ano inteiro esperando por datas como o Natal, Réveillon, aniversário... e, claro, pelas férias também. Na infância (e, em pouco mais da metade dos casos, na adolescência), essa fase vem em dose dupla (no verão, quando, normalmente, passamos alguns dias na praia, no sítio, na casa dos tios do norte do Paraná... e no inverno, época em que, substancialmente, ficamos debaixo das cobertas para assistir, pela décima oitava vez, “Karate Kid” na “Sessão da Tarde”); contudo, ao atingirmos a fase adulta (?) de nossas vidas, essa “boiada” torna-se rarefeita... só a temos uma vez ao ano... e isso quando a temos. Daí a mitificação desse mês de “retiro” moral por parte de todo e qualquer ser humano membro do proletariado – de uns meses para cá, os estagiários foram (merecidamente) inclusos no pacote.

Quando percebemos que necessitamos de uma pausa e que estamos aptos a balbuciar “Preciso de férias”? A manifestação de tal necessidade pode ocorrer de diversas maneiras, de acordo com o estágio do “estressômetro” do elemento... ao ser extremamente rude com a pessoa mais legal do mundo, por motivos, digamos, “bobos”; ao chorar em bicas por causa de uma conversa um pouco mais acintosa; ao visualizar uma parede (ou o hall do elevador) tal qual sua cama... Enfim, o corpo, a mente (e a alma, por que não?) gritam “Help me, m*therf*ck*r!” quando atingem o limite tolerável, no que diz respeito a situações desgastantes.

Durante as férias, todos temos o costume de fazer planos, inclusive os (absurdamente) irrealizáveis, como ir até o STF (Plenário e Câmaras dos deputados e senadores também podem perfeitamente entrar no pacote) e atirar ovos podres em seu presidente, quiçá em algum senador que tenha colocado a família inteira em seu gabinete por meio de “atos secretos”; quiçá ir à Disney e quebrar um skate na cabeça do funcionário vestido de Mickey (se bem que no Pateta ou no Tio Patinhas seria um pouco mais engraçado).

Contudo, via de regra, costumamos fazer tudo o que não podemos fazer em nosso (insano) cotidiano... ouvir aquele CD “jogado” no canto do quarto da sua “banda de cabeceira”, ler aquele (s) livro (s) que está (ão) em sua lista de “1001 livros para ler antes de morrer”, assistir aos DVDs empilhados aleatoriamente (desde ao do filme “arrasa-quarteirão” do semestre passado ao último dirigido pelo Gus Van Sant), visitar (ou pentelhar) os amigos de “outrora”, dos (as) quais você teve de se afastar por causa de seu cotidiano (infelizmente ou felizmente, cada um “toma um rumo” na vida), ir a algum pier (ou jardim suspenso), num final de tarde, para escrever ou para ficar ao lado de alguém... além daquela viagem (o rumo pode variar da Costa do Sauípe até a Praia Grande) que você vinha planejando desde o fim das últimas férias.

Enfim, aproveite cada instante de suas férias como se fosse o último segundo na Terra. Carpe Diem!

domingo, 24 de maio de 2009

LOUCURA MODERNA


Com certeza você já assistiu ao desenho “Os Jetsons”, certo? Pois bem, independentemente de você ter 20 ou 40 anos, você imagina que o futuro será “povoado” por carros voadores, tele transporte, pílulas que, se colocadas em alguma espécie de microondas ultra high tech plus advanced, transformam-se nos mais variados pratos (de pizza a, quem sabe, feijoada), roupas para lá de “viajandonas” desenhadas por algum estilista da NASA... pois bem, será que o futuro já não bateu à porta de nossas casas e, sem termos percebido, já entrou e pegou a cerveja na geladeira (chamada de Rosie)?
Vamos lá. O futuro já chegou (não aquele no qual pseudo-telas em formato touchscreen abrem-se em nossa frente, tampouco o de Aldous Huxley em “Admirável mundo novo”)... e está tomando cerveja no sofá de nossas casas e assistindo ao jogo do Corinthians (numa TV de LCD com home theather e conversor digital, é claro). Em primeiro lugar, quem imaginaria que um pedaço aparentemente insignificante de plástico (reciclado) seria o regente e desregulador de nossa vida financeira? Ou que poderíamos comprar um notebook com tecnologia 3G em algo chamado Internet, por meio do qual poderemos pagá-lo num tal de Internet Banking? Isso tudo sem contar o celular touchscreen com 250 funções... e que brilha no escuro.
Agora pensemos (e reflitamos), todos juntos: quem nunca esqueceu alguma senha qualquer (principalmente as do banco, do VR, do e-mail, do MSN, Orkut, Myspace, Twitter e similares)? Ou, então, fez uma “salada mista” digna de algum feito épico de Mr. Bean com informações importantes (?) de seu cotidiano? Temos de lidar com tantos dados, números, informações atiradas por uma metralhadora “à Rambo” sem critério algum, que chega um certo momento em que torna-se humana (e tecnologicamente) impossível separar o joio do trigo (agora me lembrei de um trecho de alguma música do Capital Inicial: “(...) Inteligência ficou cega de tanta informação (...))”. Não seria nenhum pouco insano digitar insistentemente a senha da “Central do Aluno” de alguma UniEsquina da vida no caixa eletrônico (e provocar alguma fila digna de qualquer pronto-socorro), ou atender o telefone de casa (ou até pior, o celular) da seguinte maneira: “Unidade Jade... Amauri, bom-dia.”... Para sua (falta) de sorte, a pessoa do outro lado da linha trabalha em algum call center e “vai estar tentando” vender-lhe algum produto da Tecnomania.
Outro aspecto clássico de nossos tempos modernos... a troca involuntária de cartões, de acordo com a necessidade e/ou ocasião... Quem nunca pegou, acidentalmente, o cartão de alguma loja de departamento e tentou utilizá-lo no caixa eletrônico 24 horas? Ou, então, tentou inserir o cartão do banco no validador do VR? Citarei algo que aconteceu comigo há algum tempo... O expediente havia se encerrado, e saí apressado do prédio. Tomei um ônibus, fui ao metrô e, somente na faculdade (para ser mais preciso, na catraca), notei que estava com o crachá da empresa preso a um cordãozinho de silicone no pescoço... e, para completar a “sessão bizarrice”, estava passando-o na catraca. Para completar, estava numa espécie de horário de pico da entrada ao campus.
Por essas e outras precisamos abrir os olhos para que não vivamos numa espécie de “ditadura da tecnologia”... isso se é que já não a estamos vivendo.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

COTIDIANO PASSAGEIRO


Não é segredo para ninguém que o expediente começa antes mesmo de bater o cartão (ou de passar o crachá no leitor magnético da catraca), mais precisamente, no trajeto de nossas casas até o escritório (borracharia, açougue, loja, “boca”...); contudo, ele se inicia muito mais perto de nossos “cafofos” do que nós mesmos imaginamos: no ponto de ônibus. É por lá onde, na maioria das vezes, o andamento de nossos dias será definido... o hiato de 10 minutos (que poderiam ser usados como “prorrogação” de nosso “coma” de algumas horas) entre um ônibus e outro pode definir o adiantamento (?) de uns 5 minutos em relação ao início do expediente ou, quiçá, um atraso homérico – e, consequentemente, à justificativa plausível, à desculpa esfarrapada ou ao exercício machadiano de elaborar uma “obra literária” ao chefe (será que vai colar? Nem o “Impostor” responderia resolutamente).

Pois bem, a “lata de sardinha” pode ter mais utilidades do que nos levar à linha de chegada (ou à metade do caminho, de acordo com a distância de seu esconderijo)... local de leitura (às vezes é bom saber que você não é o único “leitor de ônibus” na face da Terra), de interação interpessoal (é incrível que você sempre encontra os “sumidos” da vida, a vizinha arrogante ou os amigos dos tempos de escola no coletivo) ou, até mesmo, de análise social [é um trabalho digno de Freud ou de pseudo-filósofos, tal qual uma certa apresentadora “superpop”, entender por que um gênio da raça sempre finge dormir ao ver uma gestante ou um idoso ao entrar no ônibus – detalhe: o elemento estava (in)devidamente sentado no assento “especial”... ou, então, alguém já se perguntou sobre a “graça” de empurrar, dar bolsadas/mochiladas e pisar nos pés de outrem, pelo simples prazer de de “marcar território”?]... enfim, o ônibus é o local menos recomendado para quem quer “desligar-se” do mundo (e o mesmo vale para o metrô e trem).

Outra pergunta: por que vizinhos saem (sozinhos) em seus respectivos carros, trabalham em locais próximos - isso quando não trabalham, por algum (des)capricho do destino, na mesma empesa -, e ficam presos no trânsito, colaborando para a manutenção da (má) fama das marginais, para queda da (contraditoriamente tão almejada) qualidade de vida e, por mais quixoteana que a teoria a seguir pareça, para a intensificação do efeito estufa (o nosso “moinho de vento” atual)? Motivos não faltam: para mostrar ao mundo (e aos assaltantes) a ximbica nova, a ser paga em algumas centenas de prestações; quiçá, para sentir a brisa do ar condicionado na cara (a estufa em seu formato mais simples, básico)... ou seria pelo direito sagrado e inalienável de ouvir “crássicos” do naipe de Calypso ou 50 Cent? Você tem mais alguma teoria? A humanidade procura por mais algum álibi para justificar o auto-arremesso aos tubarões (motorizados).

Além disso, é humanamente impossível não olhar para a “Babel” formada no busão: o executivo no dia do rodízio de sua ximbica e que tem aversão ao “povo” (então, por que cazzo ele está ali?), o estagiário, o mecânico, a vendedora, a secretária, a diarista, o desocupado (ou seria retardado?), o universitário... enfim, somente o botequim nos happy hours da vida consegue ser o local mais democrático. Infelizmente, por mais insano que pareça, ainda há cenas (ora veladas, ora veementes) de preconceito, normalmente de caráter social e/ou racial... os “pequenos” crimes cotidianos que corrompem (e envergonham) a sociedade.

Enfim, para que o trânsito (ou melhor, nossas vidas) possa fluir bem, basta que usemos o bom senso... e por que não, passemos a ser solidários, “caronisticamente” falando?

VIRADA BALEIRA




Domingo de manhã... ou melhor, instantes antecessores do estágio “a pino” do sol. Um mar de gente instalava-se na Avenida São João, a alguns metros do trecho eternizado por Caetano... hippongas, descolados, gurias com óculos de acetato, fãs do Matanza instalados meio que por acidente por ali, ricos, pobres, jovens, pessoas de meia-idade... boa parte das pessoas “jogadas” por ali poderia ser perfeitamente o público de algum show do Los Hermanos, da Mariana Aydar, do Nando Reis ou, quiçá, de algum revival de Woodstock organizado na América Latina... mas era, na verdade, a galera que estava esperando ansiosamente pelo show do Zeca Baleiro, previsto para o meio-dia daquele domingo ensolarado.

Eu e amigos da havíamos chegado naquelas bandas por volta das 10h (meio frustrado, pois havia acabado de perder ao concerto do Cordel do Fogo Encantado... queria ter visto, ao menos, Lirinha – vocal da banda – perguntar ao “pai” se poderia ensinar-lhe a ser palhaço e, depois, ouvir “Palhaço do circo sem futuro”). Por algum milagre, havia encontrado amigos de Guarulhos naquele pedaço de chão (na hora, eu estava incrédulo, tal qual um adolescente ao deparar-se com o ídolo)... se bobear, há pessoas de Guarulhos até na Sibéria, tomando vodca e pescando em lagos congelados...

Após um “hiato”, todos puderam receber uma amostra grátis do show: a passagem de som – que já valeu o ingresso (gratuito, diga-se de passagem)... Mais um estágio da preliminar: a apresentação de um grupo performático-musical africano (a percussão estava perfeita). Como nem tudo se resume a céus “embrigadeirados”, havia alguns reveses naquilo tudo: o espaço (eu estava numa área equivalente a uns 20 centímetros quadrados - menor do que um simples piso... e só de pensar que pagaria uma grana considerável pelo aluguel desse “baita” espaço em Time Square fico com engulhos) e mudanças repentinas de lugar (mas por que cazzo uma pessoa decide passar de um lugar ao outro, mesmo sabendo que não há espaço para fazê-lo? E, de quebra, por que empurra a todos?) Como se não bastasse, graças a alguns (ou a vários) “iluminados”, a região inteira estava tal qual um lixão a céu aberto, quiçá um grande fosso... mas o show compensaria aquilo tudo.

Enquanto Zeca não pisava no palco, decidi dar uma olhada ao redor: havia um bandeirão do Corinthians (sobre o qual Zeca falaria depois ser objeto de provocação a ele, ao fazer alusão sobre o Santos, seu clube “de coração”, e ao desfecho do campeonato paulista, entre os times do “manto sagrado” de Parque São Jorge e da Baixada Santista); uma primata de pelúcia colocado na sacada de algum apê daquela “quebrada” (a chamemos de Monga) por duas mulheres... havia algumas pessoas nas janelas dos prédios ao redor do palco.

Zeca Baleiro deu início ao “quebra canela”... primeiro, todos foram (mentalmente) capitaneados por ele a Babylon, mas sem caviar, tampouco Möet-Chandon... e pessoas com almas que não tinham cor (negrões, loirinhas, brancos, amarelos; enfim, a Fiel Torcida...) cantavam em uníssono, tal qual a galera em algum show do Los Hermanos durante a execução de “Todo carnaval tem seu fim”. Dava para ouvir em Angola, Aracajú, quiçá no Alabama. Eu, particularmente, estava “mais bobo do que banda de rock”, quiçá do que um “palhaço do Circo Vostok” (e, de quebra, com uma gripe que mais parecia o estágio inicial do Influenza A).

Outros destaques: a homenagem ao Wando (que havia tocado algumas horas antes), ao cantar(mos) “Você é luz, raio, estrela e luar...” (aposto que calcinhas foram arremessadas na cara dele...) e o “Momento 'Chute ao set list'”, ao cantar (pasmem!) “Vai, Lacraia”... por algum milagre, não havia no meio da multidão nenhuma placa cínica da série “Eu já sabia!”.

E agora, meus caros, segurem-se em suas cadeiras porque agora vem o maior clichê de show bizz brasileiro (desde o videokê do churrasco na laje até o show do João Gilberto: o “Toca Raul!!!)... e a “parada” é tão veemente que virou tema de música do (adivinhem!) Baleiro... todos nós gritávamos sincronizadamente “Toca Raul!”, tal qual a Gaviões ao cantar “Louco por ti, Corinthians!”. A galera (inclusive “Monga, a gorila de pelúcia” - agora com a camiseta do Corinthians) pirou com o “Heavy metal do Senhor”... só faltou-lhe hastear a bandeira.

Resumo (tosco) da ópera: os insights de Zeca Baleiro, definitivamente, são do approach!!

domingo, 19 de abril de 2009

REPETIÇÃO (DES) NECESSÁRIA

Quem nunca ouviu pessoas dizerem ao sete ventos frases como "hemorragia para cima", "subir para cima", "entrar para dentro", "defunto falecido" / "morte morrida", "anexar junto" ou, até mesmo, "político corrupto"? Pois bem, deixe-me apresentá-los a vocês... "Meus amigos e minhas amigas", é com imenso (des)prazer que lhes apresento os (nada) ilustres PLEONASMOS. Mas que cazzo são esses tais pleo... o que mesmo?

Os pleonasmos são repetições desnecessárias de determinados termos, cometidos graças ao objetivo de enfatizar a ideia principal do que é dito... enfim, são vícios de linguagem. E, por mais constrangedor que pareça, todos nós já o fizemos, mesmo que na quimera da primeira fase de nossa (velha) infância.

Pelo menos um de nós, nem que tenha sido por somente uma centena de vezes, já pôde ver (e ouvir) a mãe de algum amigo, ao chamá-lo de volta para casa após a partida de futebol na rua, dizer "Amauri Alfredo, entre para dentro!!". Pois bem, há como "entrar para fora"? Ou, quiçá, "entrar para outra dimensão"?. Talvez um simples "Entre, palerma!" já resolveria tudo.

Quem nunca ouviu no ônibus, ao menos uma vez a cada cinco minutos, alguém soltar pérolas como "O engarrafamento não vai 'estar deixando' o busão subir para cima". Companheiros e companheiras, ponderemos... Hemorragia deriva da palavra hemo (peço desculpas pelo "Momento Pasquale"), que significa sangue; logo, hemorragia tem de ser de sangue... não me recordo de ter ouvido falar sobre uma "hemorragia de urina", por exemplo. Já no que diz respeito a subir para cima, me recuso a comentar sobre. Por essas e outras que apelo para o mp3 do meu celular... e não me venha com a manjada história de que "é melhor ouvir isso do que ser surdo".

Um dia, ao passar em frente a um boteco onde tocava um pagodão "mela-cueca" (outro pleonasmo, pois todo pagode é "mela-cueca"... e pagode não é Samba), decidi prestar atenção na letra, talvez por algum impulso esquizofrênico. Enfim, apesar de ter perdido meu precioso (?) tempo, pude garantir algumas risadas, especialmente ao ouvir o trecho "(...) vou me refazer de novo (...)". Agora, pensemos com nossos botões (aqueles de futebol de botão também servem): peço desculpas pelo "Momento Pasquale II", mas é inevitável... o prefixo "re" remete à ideia de repetição, logo, o "de novo", nesse caso, foi redundante e desnecesário. Podemos entender que o "mano" dessa música é um cara em "metamorfose ambulante", é um camaleão (e vai ter de comer muito "arroz e feijão" para pensar em ser como David Bowie, o "Camaleão" do mundo da música); ou então é uma pessoa sem personalidade definida (estaria ele sujeito a mudar para o "lado rosa da força"? Que coisa... ).


Há pleonasmos também no mundo da bola. Ir ao estádio e não gritar "Juiz ladrão" é um baita lugar-comum, e também é como ir a Paris e não visitar a Torre Eiffel ou, quiçá, ir à Bolívia e levar seis "punhaladas no peito" (se você for argentino, é claro)... Se o árbitro cometer uma falha homérica, daquelas de terem de algemá-lo e levá-lo de camburão ao DP mais próximo do estádio , chamar o elemento de "juiz ladrão" é pleonasmo, pois o cidadão (juiz) é um ladrão por excelência... especialmente se o "crime" for cometido contra o seu time, ou se você se chamar Emerson Leão, quiçá Vanderlei Luxemburgo.

Há também frases que, de tão corriqueiras, são tão redundantes e chegam a ser (por que não?) pleonasmos... Um dia, ao parar em frente à banca de jornal, fui dar uma olhada no tablóide esportivo e me deparei com a seguinte manchete: "Edmundo perde pênalti e Palmeiras é eliminado". Bueno, não é segredo para ninguém que o "Animal" não costuma ter aproveitamento satisfatório em penalidades; ou seja, ele sempre as erra, tal qual Roberto Baggio em 1994. Então, meus caros, dizer que o "Edmundo perdeu um pênalti" é um pleonasmo também... e a gratidão do meu time ao Edmundo se deve em proporções, digamos, mundiais.

E agora chegou o momento "cereja no bolo (de 'cagadas')"... com vocês, o supra-sumo dos pleonasmos: a política. Infelizmente, graças a "heranças" deixadas por administradores da época do Brasil-colônia e por coronéis da era "café-com-leite" de nossa História (de "absurdos gloriosos") aos militares e aos parlamentares de nossos tempos, o ato de "apossar-se" de verbas públicas como se fosse propriedade particular (para pagar a empregada ou, até mesmo, ir a "Bradescos" da vida com o objetivo de fechar "acordos comerciais") está visceralmente arraigado à nossa política; logo, a corrupção rola solta. Com isso, galera, dizer que políticos são corruptos é um pleonasmo, pois a condição preexistente para seguir a carreira parlamentar é apelar para o "jeitinho brasileiro". Até atrevo-me a dizer que o nível de periculosidade de nossa ilustre (?) capital é o mesmo de Presidente Bernardes... e dói pensar que a (atividade) política é reflexo da sociedade em que vivemos, mas essa é outra história.

Enfim, basta tomarmos cuidado para não entrarmos para o famigerado grupo dos "peonasnos".