segunda-feira, 11 de maio de 2009

VIRADA BALEIRA




Domingo de manhã... ou melhor, instantes antecessores do estágio “a pino” do sol. Um mar de gente instalava-se na Avenida São João, a alguns metros do trecho eternizado por Caetano... hippongas, descolados, gurias com óculos de acetato, fãs do Matanza instalados meio que por acidente por ali, ricos, pobres, jovens, pessoas de meia-idade... boa parte das pessoas “jogadas” por ali poderia ser perfeitamente o público de algum show do Los Hermanos, da Mariana Aydar, do Nando Reis ou, quiçá, de algum revival de Woodstock organizado na América Latina... mas era, na verdade, a galera que estava esperando ansiosamente pelo show do Zeca Baleiro, previsto para o meio-dia daquele domingo ensolarado.

Eu e amigos da havíamos chegado naquelas bandas por volta das 10h (meio frustrado, pois havia acabado de perder ao concerto do Cordel do Fogo Encantado... queria ter visto, ao menos, Lirinha – vocal da banda – perguntar ao “pai” se poderia ensinar-lhe a ser palhaço e, depois, ouvir “Palhaço do circo sem futuro”). Por algum milagre, havia encontrado amigos de Guarulhos naquele pedaço de chão (na hora, eu estava incrédulo, tal qual um adolescente ao deparar-se com o ídolo)... se bobear, há pessoas de Guarulhos até na Sibéria, tomando vodca e pescando em lagos congelados...

Após um “hiato”, todos puderam receber uma amostra grátis do show: a passagem de som – que já valeu o ingresso (gratuito, diga-se de passagem)... Mais um estágio da preliminar: a apresentação de um grupo performático-musical africano (a percussão estava perfeita). Como nem tudo se resume a céus “embrigadeirados”, havia alguns reveses naquilo tudo: o espaço (eu estava numa área equivalente a uns 20 centímetros quadrados - menor do que um simples piso... e só de pensar que pagaria uma grana considerável pelo aluguel desse “baita” espaço em Time Square fico com engulhos) e mudanças repentinas de lugar (mas por que cazzo uma pessoa decide passar de um lugar ao outro, mesmo sabendo que não há espaço para fazê-lo? E, de quebra, por que empurra a todos?) Como se não bastasse, graças a alguns (ou a vários) “iluminados”, a região inteira estava tal qual um lixão a céu aberto, quiçá um grande fosso... mas o show compensaria aquilo tudo.

Enquanto Zeca não pisava no palco, decidi dar uma olhada ao redor: havia um bandeirão do Corinthians (sobre o qual Zeca falaria depois ser objeto de provocação a ele, ao fazer alusão sobre o Santos, seu clube “de coração”, e ao desfecho do campeonato paulista, entre os times do “manto sagrado” de Parque São Jorge e da Baixada Santista); uma primata de pelúcia colocado na sacada de algum apê daquela “quebrada” (a chamemos de Monga) por duas mulheres... havia algumas pessoas nas janelas dos prédios ao redor do palco.

Zeca Baleiro deu início ao “quebra canela”... primeiro, todos foram (mentalmente) capitaneados por ele a Babylon, mas sem caviar, tampouco Möet-Chandon... e pessoas com almas que não tinham cor (negrões, loirinhas, brancos, amarelos; enfim, a Fiel Torcida...) cantavam em uníssono, tal qual a galera em algum show do Los Hermanos durante a execução de “Todo carnaval tem seu fim”. Dava para ouvir em Angola, Aracajú, quiçá no Alabama. Eu, particularmente, estava “mais bobo do que banda de rock”, quiçá do que um “palhaço do Circo Vostok” (e, de quebra, com uma gripe que mais parecia o estágio inicial do Influenza A).

Outros destaques: a homenagem ao Wando (que havia tocado algumas horas antes), ao cantar(mos) “Você é luz, raio, estrela e luar...” (aposto que calcinhas foram arremessadas na cara dele...) e o “Momento 'Chute ao set list'”, ao cantar (pasmem!) “Vai, Lacraia”... por algum milagre, não havia no meio da multidão nenhuma placa cínica da série “Eu já sabia!”.

E agora, meus caros, segurem-se em suas cadeiras porque agora vem o maior clichê de show bizz brasileiro (desde o videokê do churrasco na laje até o show do João Gilberto: o “Toca Raul!!!)... e a “parada” é tão veemente que virou tema de música do (adivinhem!) Baleiro... todos nós gritávamos sincronizadamente “Toca Raul!”, tal qual a Gaviões ao cantar “Louco por ti, Corinthians!”. A galera (inclusive “Monga, a gorila de pelúcia” - agora com a camiseta do Corinthians) pirou com o “Heavy metal do Senhor”... só faltou-lhe hastear a bandeira.

Resumo (tosco) da ópera: os insights de Zeca Baleiro, definitivamente, são do approach!!

4 comentários:

dani disse...

Adorei...ainda mais se tratando de Zeca Baleiro, um grande compositor maranhense que nos deu a honra de recebe-lo aqui, na nossa selva de pedra...
Bom, só faltou ele cantar "As frases são minhas,as verdades são tuas,enquanto te desejo
me vejo chorando no meio da rua."
Valeu Ju !!!

Jéssica Batista disse...

Pois é amigo Amauri, tem guarulhense até na ribimboca da parafuseta...

Gostei muito da sua volta aos posts, não abandone esse trem viu? Essa é nossa arma, pobres estudantes.

PS: Eu era uma fã do Matanza ali quase que por acaso...

Vai no meu blog depois também... eu o atualizo todos os dias.

Beijos e se cuida!

Aryane Collin disse...

È Ju ele não arrastou a "bandeira", mas levou de uma forma única e alucinante todos para o Alabama com parada obrigatória a Babilonia

Esse dia fou má... luco má.. landro e massa

bjusss

Gabriela disse...

Aquele lugar estava pior do que um matadouro, por outro lado valeu a pena!!
Tenho a honra de dizer que "aturei" todas aquelas
"pisoteadas" só para ver shows ilustres assim como o do Cordel, Zeca e Novos Baianos.. em fim..
Pena que ñ te vi por lá hein?!

Sucesso em seu blog, que está um tanto quanto sarcástico/fugáz com um toque de humor.. hahah

Beijos primo!!