segunda-feira, 11 de maio de 2009

VIRADA BALEIRA




Domingo de manhã... ou melhor, instantes antecessores do estágio “a pino” do sol. Um mar de gente instalava-se na Avenida São João, a alguns metros do trecho eternizado por Caetano... hippongas, descolados, gurias com óculos de acetato, fãs do Matanza instalados meio que por acidente por ali, ricos, pobres, jovens, pessoas de meia-idade... boa parte das pessoas “jogadas” por ali poderia ser perfeitamente o público de algum show do Los Hermanos, da Mariana Aydar, do Nando Reis ou, quiçá, de algum revival de Woodstock organizado na América Latina... mas era, na verdade, a galera que estava esperando ansiosamente pelo show do Zeca Baleiro, previsto para o meio-dia daquele domingo ensolarado.

Eu e amigos da havíamos chegado naquelas bandas por volta das 10h (meio frustrado, pois havia acabado de perder ao concerto do Cordel do Fogo Encantado... queria ter visto, ao menos, Lirinha – vocal da banda – perguntar ao “pai” se poderia ensinar-lhe a ser palhaço e, depois, ouvir “Palhaço do circo sem futuro”). Por algum milagre, havia encontrado amigos de Guarulhos naquele pedaço de chão (na hora, eu estava incrédulo, tal qual um adolescente ao deparar-se com o ídolo)... se bobear, há pessoas de Guarulhos até na Sibéria, tomando vodca e pescando em lagos congelados...

Após um “hiato”, todos puderam receber uma amostra grátis do show: a passagem de som – que já valeu o ingresso (gratuito, diga-se de passagem)... Mais um estágio da preliminar: a apresentação de um grupo performático-musical africano (a percussão estava perfeita). Como nem tudo se resume a céus “embrigadeirados”, havia alguns reveses naquilo tudo: o espaço (eu estava numa área equivalente a uns 20 centímetros quadrados - menor do que um simples piso... e só de pensar que pagaria uma grana considerável pelo aluguel desse “baita” espaço em Time Square fico com engulhos) e mudanças repentinas de lugar (mas por que cazzo uma pessoa decide passar de um lugar ao outro, mesmo sabendo que não há espaço para fazê-lo? E, de quebra, por que empurra a todos?) Como se não bastasse, graças a alguns (ou a vários) “iluminados”, a região inteira estava tal qual um lixão a céu aberto, quiçá um grande fosso... mas o show compensaria aquilo tudo.

Enquanto Zeca não pisava no palco, decidi dar uma olhada ao redor: havia um bandeirão do Corinthians (sobre o qual Zeca falaria depois ser objeto de provocação a ele, ao fazer alusão sobre o Santos, seu clube “de coração”, e ao desfecho do campeonato paulista, entre os times do “manto sagrado” de Parque São Jorge e da Baixada Santista); uma primata de pelúcia colocado na sacada de algum apê daquela “quebrada” (a chamemos de Monga) por duas mulheres... havia algumas pessoas nas janelas dos prédios ao redor do palco.

Zeca Baleiro deu início ao “quebra canela”... primeiro, todos foram (mentalmente) capitaneados por ele a Babylon, mas sem caviar, tampouco Möet-Chandon... e pessoas com almas que não tinham cor (negrões, loirinhas, brancos, amarelos; enfim, a Fiel Torcida...) cantavam em uníssono, tal qual a galera em algum show do Los Hermanos durante a execução de “Todo carnaval tem seu fim”. Dava para ouvir em Angola, Aracajú, quiçá no Alabama. Eu, particularmente, estava “mais bobo do que banda de rock”, quiçá do que um “palhaço do Circo Vostok” (e, de quebra, com uma gripe que mais parecia o estágio inicial do Influenza A).

Outros destaques: a homenagem ao Wando (que havia tocado algumas horas antes), ao cantar(mos) “Você é luz, raio, estrela e luar...” (aposto que calcinhas foram arremessadas na cara dele...) e o “Momento 'Chute ao set list'”, ao cantar (pasmem!) “Vai, Lacraia”... por algum milagre, não havia no meio da multidão nenhuma placa cínica da série “Eu já sabia!”.

E agora, meus caros, segurem-se em suas cadeiras porque agora vem o maior clichê de show bizz brasileiro (desde o videokê do churrasco na laje até o show do João Gilberto: o “Toca Raul!!!)... e a “parada” é tão veemente que virou tema de música do (adivinhem!) Baleiro... todos nós gritávamos sincronizadamente “Toca Raul!”, tal qual a Gaviões ao cantar “Louco por ti, Corinthians!”. A galera (inclusive “Monga, a gorila de pelúcia” - agora com a camiseta do Corinthians) pirou com o “Heavy metal do Senhor”... só faltou-lhe hastear a bandeira.

Resumo (tosco) da ópera: os insights de Zeca Baleiro, definitivamente, são do approach!!

domingo, 19 de abril de 2009

REPETIÇÃO (DES) NECESSÁRIA

Quem nunca ouviu pessoas dizerem ao sete ventos frases como "hemorragia para cima", "subir para cima", "entrar para dentro", "defunto falecido" / "morte morrida", "anexar junto" ou, até mesmo, "político corrupto"? Pois bem, deixe-me apresentá-los a vocês... "Meus amigos e minhas amigas", é com imenso (des)prazer que lhes apresento os (nada) ilustres PLEONASMOS. Mas que cazzo são esses tais pleo... o que mesmo?

Os pleonasmos são repetições desnecessárias de determinados termos, cometidos graças ao objetivo de enfatizar a ideia principal do que é dito... enfim, são vícios de linguagem. E, por mais constrangedor que pareça, todos nós já o fizemos, mesmo que na quimera da primeira fase de nossa (velha) infância.

Pelo menos um de nós, nem que tenha sido por somente uma centena de vezes, já pôde ver (e ouvir) a mãe de algum amigo, ao chamá-lo de volta para casa após a partida de futebol na rua, dizer "Amauri Alfredo, entre para dentro!!". Pois bem, há como "entrar para fora"? Ou, quiçá, "entrar para outra dimensão"?. Talvez um simples "Entre, palerma!" já resolveria tudo.

Quem nunca ouviu no ônibus, ao menos uma vez a cada cinco minutos, alguém soltar pérolas como "O engarrafamento não vai 'estar deixando' o busão subir para cima". Companheiros e companheiras, ponderemos... Hemorragia deriva da palavra hemo (peço desculpas pelo "Momento Pasquale"), que significa sangue; logo, hemorragia tem de ser de sangue... não me recordo de ter ouvido falar sobre uma "hemorragia de urina", por exemplo. Já no que diz respeito a subir para cima, me recuso a comentar sobre. Por essas e outras que apelo para o mp3 do meu celular... e não me venha com a manjada história de que "é melhor ouvir isso do que ser surdo".

Um dia, ao passar em frente a um boteco onde tocava um pagodão "mela-cueca" (outro pleonasmo, pois todo pagode é "mela-cueca"... e pagode não é Samba), decidi prestar atenção na letra, talvez por algum impulso esquizofrênico. Enfim, apesar de ter perdido meu precioso (?) tempo, pude garantir algumas risadas, especialmente ao ouvir o trecho "(...) vou me refazer de novo (...)". Agora, pensemos com nossos botões (aqueles de futebol de botão também servem): peço desculpas pelo "Momento Pasquale II", mas é inevitável... o prefixo "re" remete à ideia de repetição, logo, o "de novo", nesse caso, foi redundante e desnecesário. Podemos entender que o "mano" dessa música é um cara em "metamorfose ambulante", é um camaleão (e vai ter de comer muito "arroz e feijão" para pensar em ser como David Bowie, o "Camaleão" do mundo da música); ou então é uma pessoa sem personalidade definida (estaria ele sujeito a mudar para o "lado rosa da força"? Que coisa... ).


Há pleonasmos também no mundo da bola. Ir ao estádio e não gritar "Juiz ladrão" é um baita lugar-comum, e também é como ir a Paris e não visitar a Torre Eiffel ou, quiçá, ir à Bolívia e levar seis "punhaladas no peito" (se você for argentino, é claro)... Se o árbitro cometer uma falha homérica, daquelas de terem de algemá-lo e levá-lo de camburão ao DP mais próximo do estádio , chamar o elemento de "juiz ladrão" é pleonasmo, pois o cidadão (juiz) é um ladrão por excelência... especialmente se o "crime" for cometido contra o seu time, ou se você se chamar Emerson Leão, quiçá Vanderlei Luxemburgo.

Há também frases que, de tão corriqueiras, são tão redundantes e chegam a ser (por que não?) pleonasmos... Um dia, ao parar em frente à banca de jornal, fui dar uma olhada no tablóide esportivo e me deparei com a seguinte manchete: "Edmundo perde pênalti e Palmeiras é eliminado". Bueno, não é segredo para ninguém que o "Animal" não costuma ter aproveitamento satisfatório em penalidades; ou seja, ele sempre as erra, tal qual Roberto Baggio em 1994. Então, meus caros, dizer que o "Edmundo perdeu um pênalti" é um pleonasmo também... e a gratidão do meu time ao Edmundo se deve em proporções, digamos, mundiais.

E agora chegou o momento "cereja no bolo (de 'cagadas')"... com vocês, o supra-sumo dos pleonasmos: a política. Infelizmente, graças a "heranças" deixadas por administradores da época do Brasil-colônia e por coronéis da era "café-com-leite" de nossa História (de "absurdos gloriosos") aos militares e aos parlamentares de nossos tempos, o ato de "apossar-se" de verbas públicas como se fosse propriedade particular (para pagar a empregada ou, até mesmo, ir a "Bradescos" da vida com o objetivo de fechar "acordos comerciais") está visceralmente arraigado à nossa política; logo, a corrupção rola solta. Com isso, galera, dizer que políticos são corruptos é um pleonasmo, pois a condição preexistente para seguir a carreira parlamentar é apelar para o "jeitinho brasileiro". Até atrevo-me a dizer que o nível de periculosidade de nossa ilustre (?) capital é o mesmo de Presidente Bernardes... e dói pensar que a (atividade) política é reflexo da sociedade em que vivemos, mas essa é outra história.

Enfim, basta tomarmos cuidado para não entrarmos para o famigerado grupo dos "peonasnos".

sábado, 4 de abril de 2009

VERGONHA HABILITADA

FONTE: Blog do Capelli

Um dos signos de crescimento (ou melhor, amadurecimento; quiçá prova cabal de que alguém virou adulto) é obter a Carteira Nacional de Habilitação, vulga "CNH" ou "carta", para os mais chegados.

Pois é, hermanos, eu já a obtive, mas de maneira um tanto condenável, questionável, vergonhosa etc... as circunstâncias foram, se não cômicas, trágicas (não necessariamente nessa ordem), talvez com ambos os matizes.

Façamos uma viagem no tempo. Tudo começou em dezembro de 2007. Depois de ter ouvido inúmeras vezes dos meus pais "Júnior, não está na hora de 'tirar a carta'?" e de ter juntado uma "moeda" para fazê-lo, tomei coragem e fui à luta. De cara, a possibilidade de abandonar a vida de pedestre, de "sardinha" de ônibus e de metrô e, até mesmo, de loser me tentaram (afinal de contas, somente vencedores têm um carro, correto?) ... todavia, não queria contribuir para a manutenção de engarrafamentos faraônicos, além de fazer a minha pequena parte para a Camada de Ozônio continuar sendo metralhada.

Pois bem, o primeiro obstáculo foi o teste psicotécnico, vulgo "teste do sorvete na testa para adultos". Por mais bizarro que pareça, temia ser reprovado nessa fase, por motivos "neuro-insanos"... consegui passar com um pé nas costas, por alguma "cagada" do destino e, consequentemente, estava habilitado para encarar o CFC.

As aulas do CFC foram tranquilas, sem sustos, vertigens, vômitos etc (não assisti ao "crássico" vídeo de acidentes de trânsito ao melhor estilo "Jogos mortais")... vale citar as "amizades de infância" estabelecidas nessa fase... por algum motivo que nem Freud explicaria, elas ficaram nas carteiras da sala de aula da "escolinha de futuros barbeiros".

Agora, meus caros, apertem os cintos e rezem para São Cristóvao (patrono dos motoristas, barbeiros e braços-duros em geral) porque assumi a direção do carro: nas aulas de direção percebi que o gene dos "mestres do volante" estava em falta no meu DNA. Depois de dar muito tranco (e quase fundir o motor do carro), estava no estágio minimamente aceitável para dizer "Consigo dirigir em primeira". A prova de fogo estava chegando e, com ela, minhas unhas e minha calma iam embora - de metrô.

Chegou o grande dia (uma quinta-feira): a avaliação da baliza, da ladeira, da "fina" tirada de outro carro... enfim, a prova. Tal qual um vestibulando no dia da FUVEST, lá estava eu esperando a minha vez para assumir a direção. Banco e retrovisores ajustados, motor ligado e a 1ª marcha acionada. Não tinha mais como fugir e pedir asilo moral para d. Maria, também conhecida como "Mãe". A prova estava indo bem. Apesar de ter sido jogado aos tubarões - ou melhor, no trânsito -, estava me saindo bem... até chegar na temida "ladeira do motor apagado". Nem precisarei entrar em detalhes sobre o ocorrido. Por algum impulso de "perfeccionismo doentio", entrei momentaneamente em parafusos e me esqueci da "taxa" paga anteriormente. Ah!, a taxa... não queria pagá-la mas, por falta de capacidade de condução, tive de fazê-lo.

Eu até me atrevo a dividir a avaliação nos momentos "AL" (antes da Ladeira) e "DL" (depois da Ladeira). Não conseguia fazer nada direito, inconformado por ter deixado o carro "apagar" pouco antes. Tal qual Ukyo Katayama, estava me saindo um legítimo barbeiro e, após ter feito uma conversão de maneira um tanto insegura, ouvi do examinador "Pare o carro. Você não vai sequer fazer a baliza, por ter sido REPROVADO".

Aquelas palavras atravessaram o meu cérebro como uma bala de AR-15... não conseguia pensar, tampouco argumentar. Após conter o choro quase inevitável, a ressaca moral estava braba... nem um Engov "supersize" salvaria a pátria. Depois de algum tempo, com a cabeça devidamente (re)colocada no lugar, entrei em contato com a Auto Escola. Aleguei que, mesmo se eu tivesse atropelado um vira-lata, uma "velhinha" de bengala ou ter feito "strike" com a galera do futebol da rua, era para eu ter sido aprovado - pelo simples fato de ter pagado a "taxa dos incapazes".

Incrivelmente, alguns dias depois, o insólito aconteceu: recebi uma ligação da Auto Escola na qual fui avisado de que havia sido aprovado... Só me restava cantar "I can't believe the news today...".

O mundo realmente dá voltas (sem carro): de barbeiro incorrigível a motorista legalizado. Seguramente, Quevedo diria que "isso non ecziste!". Atualmente, continuo sendo um pedestre loser... coincidência (ou não), os postes da minha "quebrada" nunca mais foram os mesmos.

Vou guardar o carro na garagem. Da próxima vez, alguuém quer ir de carona comigo?

DE VOLTA À VIDA (DIGITAL)

Após um longo inverno (ou melhor, verão com ingredientes escaldantes precedido pelo outono ainda descaracterizado), estou de volta ao meu "espaço" digital... para desespero, revolta e tristeza de muitos.

De lá para cá, muita água (não somente a de março) rolou: o carnaval, é claro, fez todo mundo esquecer da vida (e, o que já é um lugar-comum, o ano só começou após o período de esbórnia); alguns executivos da AIG levaram uma "bolada" de respeito, com a qual muita gente seria salva em Darfur; o "ferro-velho" da Honda tornou-se uma equipe (aparentemente) vencedora (e Sir Hamilton, Pinóquio); a "Seleção" anda não muito bem das pernas (de pau dos "digníssimos" atletas), mas está em boas mãos de Júlio César; nossos "hermanos" tomaram um chocolate adoçado com coca na "Evolândia"... além de terem rolado os shows do Radiohead e do Los Hermanos, talvez os maiores eventos do ano até aqui.

Então, galera, voltei... não sei se para ficar. Para a alegria geral da nação, não estou com muito tempo livre, por causa de alguns projetos paralelos (não falerei quais porque aqui não é um "Companheiro diário", catzo!).

Não obstante (essas expressões "cultas" são um porre, mas legais de usar), tentarei postar algumas besteiras que não mudarão a vida de ninguém por aqui, com periodicidade tão intensa quanto a declarações sensatas feitas por big brothers.

Hasta la vista, babe!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

25 DE JANEIRO - UMA ODISSÉIA SOBRE TRILHOS (PARTE II)

Fim da viagem (sobre trilhos). Estação "Interlagos". Após sair de lá, meio que por ato condicionado, me lembro de Drummond: "E agora, José?". Como eu iria fazer para chegar ao SESC? Como que por osmose, decidi ir sem rumo, seguindo o barulho... mas não poderia dar certo. Como todo forasteiro, decidi perguntar à primeira pessoa que visse pela frente (após ter falado com o bilheteiro da estação, com o guarda, com a tiazinha sentada na calçada e até mesmo com o poste - e não estava bêbado)... tive de andar um bom trecho até o ponto de ônibus (eu havia me perguntado pela vigésima oitava vez: "Onde fui parar?").
Após um tempinho no ponto de ônibus (dadas as circunstâncias, aquilo pareceu uma eternidade), o ônibus (ou "coração de mãe"?) chegou... Entrou a Fiel Torcida nele. Finalmente, o SESC. Por sorte, ainda havia ingressos para o show do ex-titã (vou fazer um mea-culpa por ter me esquecido disto: eram 17h10... para um concerto que começaria às 16h, somente UMA HORA E DEZ MINUTOS não foi muito tempo de atraso).
Para encurtar mais um pouco a história: ao chegar na região do palco, decidi ligar para os meus amigos... não precisaria ser nenhum Capitão Nascimento para deduzir que eles não ouviriam nada (quem iria colocar isso na cachola dum mano desesperado?! Nem Charles Xavier conseguiria tal feito). Como dois e dois são quatro, havia uma amostra da população chinesa ali. Procurar por eles seria como brincar de "Onde está Wally", versão Itu. Tentei desencanar e curtir o (resto do) show.
A tentativa não deu muito certo. Quando eu menos esperava, lá estava tentando fazer a "varredura", meio que por ato condicionado (um ato de idiotice incondicional, diga-se de passagem). Nota: o público parecia uma miscelânea: havia uma galera dentro do típico perfil USP (estilo hipponga, vibe despretensiosa, que curte um papo cabeça - e de mandar outras coisas para a cabeça também); outros, que não queriam passar o feriado em casa... além da galera das piscinas dali.
Enquanto rolava a sessão "sucessos da rádio" no show, eu me perguntava se havia mais pessoas na mesma situação que eu... era humanamente impossível haver mais um "mané" do meu calibre naquelas bandas. De repente, surge uma luz no fim do túnel... ou melhor: uma ligação no celular. Ao melhor estilo Joseph Klimber, a chamada parou no terceiro toque, suponho. Tentei retornar, óbvio, mas não era ninguém que eu conhecesse. Só consegui ouvir "Não estou ouvindo nada" (por que será?) e "Quem está falando?". Desencanei e desliguei a ligação... apost0 que maldisseram umas cinco gerações da minha família naquele instante.
"Luz dos olhos brilham ao te ver...". O que me restava era viajar no show... está na Argentina, grite "É penta!"... não havia muito a fazer. "Luz dos olhos", por sinal, é a minha música favorita do Nando Reis. Pouco tempo (umas duas músicas) depois, o show já era... debandada geral. Reação óbvia: procurar por algum ponto de intersecção para tentar vê-los. Enquanto isso, fui fazer uma ligação para desculpar-me pelo "trote"... desculpas aceitas, pensei em puxar papo, mas não tinha créditos - e nem "cabeça" - para fazê-lo.
Como num passe de mágica, o contato com meus amigos foi restabelecido. Após (conseguir a façanha de) encontrá-los, ouço a seguinte brincadeira: "Amauri, por isso que você não nos encontrou... você está sem os óculos.". Consta também que a galera estava, praticamente, nas primeiras filas... y yo, obviamente, no fundão... quase passando mal e, por pouco, não entrando na brisa por osmose.
Epílogo: vale citar que, na volta, por causa da chuva, o Rio Pinheiros mandou uma lembrança odorífica de sua existência... e esta história irá sair em definitivo dos trilhos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

25 DE JANEIRO - UMA ODISSÉIA SOBRE TRILHOS (PARTE I)

Começo de tarde de domingo. Domingo de feriado, diga-se de passagem. Tento combinar com os meus amigos para fazer algo - algo meio cult, de preferência... ou o que aparecesse. Repentinamente, ao falar com uma amiga minha, sou "chamado" para ir ao show do Nando Reis. Nada demais, se não fosse o local: Interlagos. Para quem mora em Guarulhos e não tem carro (ou seja, pedestre full-time e 'tatu' confesso), é como tentar percorrer o trajeto da Muralha da China na íntegra. Mesmo assim, acho o som do cara muito bom... e isso pesou em minha decisão. Topei, apesar de ter titubeado por uns dois segundos. Detalhe: o concerto começaria às 16h.

Aparentemente, uma tarefa fácil até, levando-se em conta que encontraria meus amigos no local. Doce ilusão (agora me lembrei de uma música 'homônima' a esta expressão, da banda indie Banzé!)... mas, contudo, todavia (vou parar por aqui...), tudo saiu exatamente como eu não havia planejado... lhes pouparei dos fatos um tanto pitorescos que me levaram a "desplanejar" tudo... fato: 14h30 no ponto de ônibus, para pegar a primeira "sardinha" com rumo a qualquer metrô. Eu tinha praticamente uma hora e meia para "operar o 'milagre de Interlagos'"... nem precisaria ser alguém com o cérebro de Stephen Hawking ou de Glauber Rocha para deduzir que essa era uma tarefa impossível.

Encurtando um pouco a história: cheguei à Penha por volta das 15h20; e na Barra Funda, para tomar o trem às 15h55...

Durante o trajeto, algumas coisas me chamaram a atenção: o comércio (para refrescar a viagem, vai um refri ou uma cerva quente?... ou um amendoim?)... e, infelizmente, uma mulher "descendo a raquete" na sua filha, de dois anos... não sou pedagogo e nem tenho maturidade para ser pai, mas há limites... e isso tudo foi até Presidente Altino, onde eu teria de fazer a baldeação para tomar outro trem... até Interlagos (ufa!).

Depois de algum tempo de espera, lá estava no "trem espanhol". Seria a deixa perfeita para ler o jornal... como se não bastasse o fato de quase todas as notícias serem sobre Obama, crise econômica, anivarsário de São Paulo e o peso do Ronaldo, a trilha sonora estava "supimpa": havia uma galera ouvindo uma espécie de Calypso cover. Ainda tentei ler algumas crônicas de um escritor italiano sobre a construção de Brasília, mas não rolou (não pelo texto, que era ótimo, mas pela vibe do local). Decidi observar o horizonte: de um lado, a suntuosidade dos edifícios da região da Berrini; do outro, a Marginal Pinheiros.

Algumas estações adiante, a Marginal Pinheiros continuava sendo a companhia insólita e improvável de muitos passageiros daquele trem (inclusive a minha, confesso). Continuam as incongruências: os prédios de Pinheiros e o rio que deu nome à via marginal continual a formar um "ying yang" assimbiótico... além disso, o Shopping Cidade Jardim, a Meca do mundinho blasée "crasse A" - e os prédios anexos da high (?) society - em parceria improvável com casas de alvenaria de baixa renda, davam tapas na cara da galera que fechava os olhos a tantas disparidades sociais... e isso tudo em São Paulo, outrora a terra das oportunidades.

Adeus, Marginal Pinheiros. Antes disso, ao olhar para lá (cada um tem o Rio Negro que merece), comecei a ponderar que anos de "desenvolvimento" desenfreado levaram a tudo aquilo... nem a tal ponte estaiada tem moral para "limpar a barra" dali. Ao prosseguir viagem, tive a sensação de ter passado por um arco que me conduziu a outra realidade, completamente oposta à da Berrini, Vila Olímpia etc... mundo periférico, aí vou eu. Como destaque, cito um trecho do Autódromo de Interlagos, visível do trem... acho que era a Curva da Junção (por que não mudar seu nome para "Curva Timo Glock"?).

16h50. Fim da linha... e a história, apesar de ter saído dos trilhos, continuará daqui... aguardem.

domingo, 18 de janeiro de 2009

OS DENTES DA CULTURA

Há uma regra social implícita, mas divulgada incessantemente por quase todas as pessoas que conhecemos (a começar pelas nossas mães, é claro), que consiste, resumidamente, no "cuide bem para não perder"... e esse "cuidado" se extende aos dentes.

Pois bem, na última semana tive de ir ao front: ou melhor, ao consultório do dentista. Após um longo inverno, lá estava eu, para fazer o check-up e, pelo menos era o que eu temia, ouvir aquele barulho clássico do motorzinho... por causa desse aparelho, aparentemente inofensivo, faz com que muito "pai de família" chame (literalmente) pela mãe, não dormi por, pelo menos, umas duas noites; contudo, não poderia voltar atrás.

Após algum tempo, fui dar uma olhada nas revistas para leitura dos pacientes em espera... "Caras" [por que em pelo menos 90% dos consultórios há, ao menos, um exemplar desta revista? E em que o conteúdo (?) dela irá mudar a minha vida? Acho que só há mais exemplares dela em salões de cabeleireiros...], "Veja" [essa é insuperável... suas reportagens (?) são tão tendenciosas, mas tão tendenciosas, que os militares de outrosa se sentiriam orgulhosos dela]... desde que me entendo por gente, há sempre dessas revistas em consultórios, além de seus genéricos, similares etc. Algumas coisas nunca mudam.

Outra coisa "crássica" de consultório odontológico: emissoras de rádio voltadas ao flash back anos 70, 80 e 90 (essas emissoras, por sinal, são chamadas por alguns de "rádios de consultório odontológico"... por que será? E eu ainda achava que a trilha sonora perfeita para a extração do pré-molar direito fosse "Perdendo dentes", do Pato Fu...).

Convenhamos, é 1 milhão de vezes nelhor ouvir New Order, The Cure, Sade (é preferível ouvi-la em outro lugar e em ocasião completamente diferente, se é que você me entende), Djavan, Chico Buarque (até em fila de banco qualquer música do Chico vai bem), Elton John, Marvin Gaye e toda a galera da Motown do que aquele barulho irritante e agoniante do "motorzinho", além de fugir do "gosto médio" imposto pelas rádios para adolescentes. Não contarei o tratamento pelo qual passei pois este pseudo-blog não é adepto da cultura do "Camarada diário".

Falando em Elton John, ontem rolou o show do cantor britânico... não o acompanhei com veemência, mas achei os trechos do espetáculo que vi animados até... esperava um pouco mais, confesso. Os comentários sobre o concerto são animadores: o show foi ótimo, animado pacas... Até James Blunt, intépretete da nova geração e autor de músicas-chiclete do naipe de "You are beautiful" e de temas de novelas das 8 (o que dá no mesmo), mandou bem em seu show.