sábado, 15 de agosto de 2009

REMINISCÊNCIAS DO SONO



Mais um dia... e, mais uma vez, o despertador toca (talvez essa seja a única maneira de ficar irritado ao ouvir “Sexual healing”, de Marvin Gaye – o toque do meu despertador). Tento pensar em ficar mais cinco minutos deitado (se é que consigo raciocinar corretamente nos primeiros instantes após ter acordado)... mas temo que esses “cinco minutos” transformem-se em quinze, vinte, uma hora talvez. Barba (?) feita, banho tomado e vitamina ingerida, lá vou eu para o ponto de ônibus... antes disso, pego o jornal, entregue por algum pobre coitado que acorda antes de mim, enquanto eu ainda tentava dormir (por que alguns “param” suas vidas em prol de outras pessoas? Talvez nunca conseguirei entender isso).


No ponto de ônibus, como sempre, fico sabendo que o ônibus que eu pretendia tomar havia passado, no máximo, uns dois minutos antes... e sempre me resta esperar por volta de dez minutos, para variar (são raríssimas as vezes em que não me atraso... até para me atrasar estou atrasado). Nem preciso dizer que a combinação “rush e atraso” resulta em ônibus lotado. Espero não encontrar nenhum amigo ou qualquer pessoa conhecida (o meu nível de “antissociabilidade” está em patamar assustadoramente grande nos primeiros instantes do dia); logo, tudo o que quero é ler, ouvir o set list do meu mp3, ou dormir, caso algum lugar ficar vago no decorrer da viagem (o que é raro, diga-se de passagem). Às vezes penso nos (supostos) benefícios em ir trabalhar de carro, mas o engarrafamento (uma tradição nacional) e a minha (notória) falta de habilidade ao volante me fazem desistir.


Fim do (meio do) caminho... hora de virar “tatu” (estranho, agora me lembrei de Levy Fidélix, aquele tiozinho do “Aerotrem”, ao falar sobre o metrô). Em virtude de estar na primeira estação da linha (ou por sorte mesmo), os vagões não estão lotados; logo, há conforto (?) o bastante para poder ler o jornal (de cada dia, obviamente). Após chegar à estação Tiradentes (onde sou “espirrado” (!) do vagão), entro em questionamento hamletiano (ao invés do “Ser ou não ser? Eis a questão”, apelo para o “A pé ou de ônibus?”). Como estou (bem) atrasado, tenho de apelar para o coletivo... e lá vem mais tempo de espera até sua chegada. Dentro do ônibus, me sinto como se estivesse passando pela “cidade anônima” do livro (e filme) “Ensaio sobre a cegueira”, por causa de toda aquela sujeira característica do Centro Antigo (e decadente) de Sampa (não foi à toa que parte dessa película foi filmada por lá).


De repente, olho para o reflexo formado no vidro do ônibus, e percebo como as minhas olheiras estão grandes (olheiras são nada mais do que um dos sintomas de cansaço e, principalmente de sono)... nem os óculos ajudam a disfarçá-las. De acordo com o dicionário (“meu pai”), o sono é a “vontade ou precisão de dormir” (por que não mudam para “desespero por não dormir”?). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o período minimamente recomendável para o sono é de 6 (isso mesmo, SEIS) horas... e muitas vezes, em virtude do ritmo de vida atribulado nos grandes centros urbanos, isso chega a ser um sonho (!) inalcançável. Não obstante, a falta de sono pode causar vários problemas à saúde, como irritabilidade maior, dores de cabeça mais frequentes e ganho de peso.


Não precisa ser nenhum gênio da raça para perceber que o dia será longo... qualquer lugar (uma cadeira, uma parede qualquer e, até mesmo, o hall do elevador) serão potenciais camas; e terei de tomar cuidado para não entrar em overdose de cafeína.

4 comentários:

Ana Paula Guedes disse...

Nossa, seu texto quase me fez chorar Ju... kk... mas tá mto bom! Eu ainda terei essa overdose de café viu! rsrs... Beijoo!

Jéssica Batista disse...

vc adora Ensaio sobre a cegueira né? Sempre lembro de vc rsrsrs...

E esse toque de celular é foda ahouehaeouhaeouhaeuoae

aliás... olheiras são normais... eu durmo as 8 horas e continuo com elas fundas... isso não é só sono... tbm é preocupação!

é foda..


Beeeijo Mau

Naty disse...

Oie, achei teu blog, através do da Jéssica, tava lendo aqui e me identifiquei com este post, aliás a realidade de trocentos de nós.
Levanto às 5:00hrs,2hrs para se chegar em algum canto,chego em casa ás 21:00hrs ,e quando penso que acabou, oou Game Over, ainda há algo a ser feito.
Overdose de café, tenho eu sem motivos.
E ainda sou adepta de um sono R.E.M (apago), quando não leio no bus tenho que me policiar para não parar no ponto final.
Enfim, simpatizei com teu blog.
Bjinhusss!

Carlinha Said disse...

essa correria do teu dia me parece bem familiar...adorei teu texto, me traz de volta a minha "ex-vida"...


beijocas